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De Alagoas para o mundo - Rízia Cerqueira

“O dia que eu aceitei o meu cabelo como ele é eu aceitei o meu corpo todo”


Ao longo da história, a mulher sempre foi obrigada a assumir um papel secundário na sociedade. Muitos codinomes foram dados para a mulher como “sexo frágil”, “rainha do lar”, “dona de casa” ou “submissa”, mas de um tempo pra cá, parece que o jogo virou e surgiu a magia do empoderamento feminino. A mulher parou de acreditar em personagens perfeitos das capas das revistas e surgiram as mulheres empoderadas que amam o seu corpo, o seu espírito e a posição que ocupa. Elas carregam em si a arte de transformar mulheres tristes em mulheres vivas. Elas usam sua sabedoria para empoderar outras mulheres a sua volta.

Fotos: Greta Medeiros Fotografia
Em 2018, conheci a Rízia. Desde o nosso primeiro encontro nos identificamos e nos tornamos amigas. Tive o prazer de fazer uma matéria linda com ela sobre o empoderamento feminino, mostrando que essa bandeira sempre esteve muito viva dentro dela. Hoje – quem diria – minha amiga estaria confinada na 19ª edição do Big Brother Brasil. Na época da nossa matéria, a Rízia devia ter uns 5 mil seguidores no instagram e hoje, ela tem quase meio milhão de admiradores da sua beleza, alegria e postura sempre em defesa das mulheres. Empoderar meninas e mulheres é poderoso.

Em nossa matéria, Rízia contou que desde criança sofreu muito com pressão estética. “Quando eu era criança estudava em escola particular e, como a minha mãe era professora e negra, ela queria que eu e a minha irmã estivéssemos sempre enquadradas no padrão estético que predominava na escola. Sei que ela fazia isso para nos proteger”, contou Rízia que, com sete anos de idade, fez seu primeiro alisamento nos cabelos.

PRESSÃO ESTÉTICA
Rizia contou que essa pressão estética atrapalhou muito no seu amadurecimento pessoal. “Para amadurecer e me tornar quem eu sou hoje, precisei passar por muitas coisas e para mudar, eu precisei me permitir mudar e me aceitar. Hoje em dia eu entendo que tudo que eu passei foi para ajudar outras pessoas, mas você tem que se permitir e saber que vai passar por preconceito e várias situações ruins”, disse à jornalista que falou sobre esse processo dolorido de se encontrar. “Eu sofri muito, principalmente por ser de uma família muito religiosa. Quando eu era criança não via representatividade de mulheres negras e empoderadas. As blogueiras e youtubers negras surgiram muito tempo depois e só quando eu comecei a ir para a faculdade pude ver pessoas de outras formas e comecei a abrir minha mente. Precisamos ter mais compaixão pelo próximo pois ningúem conhece a dor do outro”, contou.

Foi no momento que Rízia usou seu cabelo natural sem alisamento que descobriu a sua real beleza na frente do espelho. “Demorei muitos anos para ver a minha verdadeira beleza e ver o quanto meu cabelo era lindo da forma natural. Superei o preconceito por ser gordinha, por ser negra e por ter o cabelo cacheado e um dia amadureci minhas idéias e aceitei ser eu mesma. Depois que eu aceitei o meu cabelo eu aceitei o resto do meu corpo então, meninas, aceitem quem vocês são de verdade. Parem de se cobrar tanto”, disse à jovem que hoje em dia recebe recados de várias seguidoras que se inspiraram em seu empoderamento. “Eu virei a referência que eu não tinha para me representar e hoje, se eu puder ajudar uma mulher a se amar, já valeu à pena tudo que eu passei”.

BBB 19
Rízia é uma das participantes confinadas na 19ª edição do BBB, a casa mais vigiada do Brasil. Ela entrou na casa de tranças, e lá dentro, tirou suas tranças, deixando seu cabelo natural na simples intenção de mostrar para as meninas que estão assistindo o programa uma identificação aqui fora. Ela que quando criança dizia não ter referências de mulheres negras empoderadas na televisão, hoje se torna uma referência para as meninas de todo o Brasil. De Alagoas para o Brasil, vai que o mundo é seu, mulher!


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